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Prometeu moderno: a inteligência artificial no marketing

Sempre fui fascinado pela mitologia grega. Não me lembro exatamente quando isso começou, mas acho que um dos pontos que me levou a esse interesse foi a maneira como as divindades gregas era retratadas.

Elas não tinham nada de divino, muito pelo contrário. Os deuses gregos mentem, cobiçam, matam, invejam e tem tantos outros defeitos quanto qualquer outro ser humano. Talvez seja por isso que essa mitologia seja tão rica.

Dentre tantos mitos, o do Prometeu me chamou a atenção recentemente. Trata-se da história do titã que roubou o fogo para dar aos humanos.

O significado do fogo nesse mito é o conhecimento e o poder de transformar a natureza à sua volta. E, do ponto de vista histórico, essa alegoria faz muito sentido. A humanidade deu um belo salto a partir do momento que pôde controlar o fogo.

A relação entre inteligência artificial e Prometeu

Agora vamos falar da relação que tudo isso tem com a Inteligência Artificial. É o que está no título e com certeza foi por isso que você começou a ler.

Acho importante só deixar claro que, por I. A., eu estou me referindo às inteligências artificiais generativas. E nós vamos falar disso na área de marketing e publicidade, tá bem?

Para resumir, gosto de pensar que a Inteligência artificial é o Prometeu moderno. Ela oferece o fogo aos mortais e despertando a ira dos deuses.

Claro, a única diferença aqui é que os deuses são as agências e profissionais de marketing. E eles ficam irados por algo que eles não fazem a menor questão de ter.

Explico melhor. Imagine o dono de um pequeno comércio. As famosas lojas de bairro que a gente vê por aí.

Pois é. Quantas vezes você viu agências se estapeando por clientes assim? Melhor, quantas estariam dispostas a baixar o valor dos seus serviços para comportar e assessorar um microempresário e fazer a sua empresa crescer? Então?

A curto e médio prazo quem mais vai tirar vantagem do que a I. A. pode oferecer é o cara da lojinha de bairro. E isso acontece principalmente, pelas plataformas de I. A. serem muitas, com fácil acesso e praticamente grátis.

Basta um prompt razoavelmente bem escrito e pronto. Esse microempresário tem em mãos uma estratégia de marketing, calendário editorial, roteiro para vídeo e, em alguns casos, até mesmo um vídeo pronto.

A I. A. trouxe uma alternativa para um grupo de empresas marginalizado pelas agências por causa do seu baixo poder de aquisição de serviços.

E, talvez como no paralelo que o mito original faz, a partir daqui esse pequeno estabelecimento evolua. Quem sabe, até mesmo com a possibilidade de contratar uma agência no futuro.

A inteligência artificial para outras empresas

No cenário de pequenas, médias e grandes empresas, eu até entendo que a inquietação com as plataformas de I. A. seja justificada. As empresas nesse perfil (acho que qualquer empresa ou pessoa na verdade) veem na I. A. generativa uma diminuição de custos com marketing, mas isso é algo que não se sustenta por muito tempo.

Qualquer um com mais experiência já percebeu que o material que retorna de um prompt costuma ser superficial, superlativo e algumas vezes impreciso.

Isso pode funcionar muito bem para uma lojinha de bairro. No fim das contas, para quem não tem nada, metade já é o dobro. Só que empresas maiores não terão os resultados esperados apenas com a I. A.

É nessa necessidade que os as agências e profissionais de marketing vão realmente brilhar.

Como competir contra a inteligência artificial

Esqueça o serviço braçal em si. É claro que você ainda vai oferecer calendários editoriais para redes sociais, artigos de blog, imagens e vídeos. Tudo isso é válido quando o que está ali tem de fato uma autenticidade humana por trás do seu desenvolvimento.

Mas o diferencial vai ser oferecer isso com algo que as I. A. generativas não conseguem dar. Eu estou falando de entender o comportamento humano, seus defeitos, qualidades e desejos que fazem com que uma pessoa compre ou não alguma coisa.

Basicamente, agências, o segredo é ser como os deuses do Olimpo que citei no comecinho do texto, ou seja, sejam humanos (mas com bem menos defeitos, tá bem?).